?

Log in

Previous 10

Feb. 9th, 2008

1_b&w

On Vox: Hobbies e necessidades

Ontem dei uma rápida passada na Saraiva do Shopping Ibirapuera.

Cara, como eu gosto de literatura!

É bobeira eu tentar me convencer que se trata de hobbie, tão somente.

Se eu tivesse grana e tempo disponíveis, acho que compraria tudo ali dentro.

Tolstói, Dostoiévski, Nabokov, Walt Whitman, Kerouac, Bukowski, Fernando Pessoa, Ítalo Calvino, Jorge Luis Borges, García Marquez, Kafka, ah!, tantos autores que eu quero me iniciar ou conhecer melhor. Quero? Preciso? Não sei.

A vida é uma questão de escolha.

Pura e simplesmente.

Eu fiz a escolha de estudar algo mais sério.

Mais... relevante.

Em detrimento da ficção, que permanecerá, a princípio, como falso hobbie.

E negligencio assim uma parte de mim.

Originally posted on rafikz.vox.com

Jan. 8th, 2008

1_b&w

A piada



O ar estava mais leve naquele dia. Mal sentia o vento passando à sua face. Finalmente realizava o sonho de voar. Agora faltava pouco. Em breve se livraria de todas as algemas terrenas.


Enquanto caía, teve tempo de relembrar sua vida. Ora, parte dela. Nunca teve uma boa memória, não seria nesse momento fatal que haveria uma mudança. Aliás, não muito havia a ser lembrado. Pensou no último verão, há alguns meses. O sol escaldante a ferver seus pulsos cortados. Fracasso. Acordara, decepcionada, numa alva cama de hospital, mãe chorando, quase que se sentindo culpada, ao menos foi o que quis acreditar naquele momento de fúria. Por que a tinham salvo? Quem tinha direito a sua vida senão ela própria? No lugar de sua progenitora, sentiria também remorso por possuir esse egoísmo doentio de prender os filhos ao lado, mesmo que evidentemente infelizes. Enfim, não queria ter raiva de sua mãe. Queria morrer em paz. Tentou lembrar de um momento feliz, sem sucesso.

O chão aproximava-se mais e mais, menos de 20 metros pela frente. Uma estranha angústia subiu-lhe à boca. Sentiu-se fraca. Poderia morrer sem nunca ter experimentado alegria? Não teria mesmo dado sequer UMA risada durante toda a vida? Ou estaria sob efeito de uma espécie de bloqueio mental a fim de justificar sua entrega final? Ora, ela fora feliz! A perda do contentamento que ocasionara a depressão, certo? Lembra, lembra! O chão ficava mais próximo, a aflição aumentava. Seus irmãos pequenos brincando no parque...NÃO!, ela não tinha irmãos. Seus avós fazendo carinho, o velho calor familiar... Lembrou-se logo que desde sempre vivera só com sua mãe, nunca chegou a conhecer outro parente! História longa, não havia tempo para isso. 10 metros. 16 anos de vida e nada de prazer? 5 metros. Começava a lembrar de uma piada que ouvira de um garoto sacana querendo soar simpático, menino este que viria a ser seu primeiro namorado, mas acabou atingindo o chão antes de concluir o raciocínio. Rapidamente formou-se uma considerável poça de sangue ao seu redor, alguns pedaços de dentes espalhados pelo chão, e muita, mas muita, decepção no ar. A piada, agora concluía, não tinha a menor graça.
                                                                                                                                                 

Dec. 28th, 2007

1_b&w

A Explicação

Uma vez escrevi sobre a informatização no espiritismo – tinha lido em algum lugar que os computadores substituiriam os médiuns – e, como esperava, recebi algumas cartas de protesto contra o comentário, considerado desrespeitoso.

Está certo, deve-se respeitar a crença dos outros. Talvez a descrença seja apenas uma falta de imaginação. São tantas, tão variadas e tão literariamente atraentes as explicações metafísicas sobre o que, afinal, nós estamos fazendo neste mundo e o que nos espera no outro que não crer em nada, longe de ser uma atitude racional e superior, é uma forma de burrice.

De não saber o que se está perdendo. O negócio é ser pós-moderno e desistir conscientemente do racionalismo, pois, se as explicações finais são tão impossíveis quanto as utopias – e a própria física, quanto mais descobre sobre o mundo, mais perplexa fica –, então o negócio é voltar à mágica e ao deslumbramento primitivo, que são muito mais divertidos.

É verdade que eu sempre achei a explicação de que não há explicação nenhuma, ou pelo menos nenhuma que o cérebro humano entenderia, a mais fantástica de todas, mas reconheço que é um sumidouro. Não a recomendo. Toda a força, portanto, à imaginação, a todas as escatologias, a todas as seitas e a todos os santos. Tudo se resume naquela música – ou é apenas uma frase? – do John Lennon, Whatever Gets You Through The Night. O que ajudar você a atravessar a noite, está certo. É difícil lidar com toda essa herança que a gente recebe junto com um corpo e uma mente, uma vida finita num universo infinito, sem nem um manual de instrução. No escuro, todas as respostas são válidas, todas as crenças são respeitáveis.

Eu, por exemplo, estou desenvolvendo a tese de que a explicação de tudo está na alcachofra. Ainda não sei bem onde isto vai me levar, mas sinto que estou perto de uma revelação. Deus é uma alcachofra. Quando desenvolver melhor a idéia, volto ao assunto.

Autor: Luís Fernando Veríssimo
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/08/2000

Dec. 19th, 2007

1_b&w

La Haine (1995)



Sempre que penso em cinema francês, automaticamente lembro de filmes delicados, construídos lenta e cuidadosamente. Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain seria um exemplo imediato da sutileza a que me refiro.

Pois bem, ao assistir O Ódio, é de bom grado colocar todo esse conceito prévio de lado e, se for o caso, buscar um lugar comum em filmes como Cidade de Deus e Ônibus 174, para citar alguns nacionais.

Após um motim em que, por abuso policial, um jovem árabe acaba em estado crítico de saúde, somos apresentados a um intrigante trio de jovens, moradores de um subúrbio em Paris, composto por Vinz (Vincent Cassel), judeu revoltado e ansioso por vingança, Hubert (Hubert Koundé), pugilista negro que constantemente analisa o comportamento daqueles a sua volta, e Saïd (Saïd Taghmaoui), descendente árabe muito falante que funciona por diversas vezes como agente pacificador. Durante o tal motim, um oficial acaba perdendo sua arma, que é encontrada justamente por Vinz. Este jura matar um policial se o jovem ferido de fato morrer. Se a trama, por si só, já é razoavelmente delicada, diversos imprevistos acabam por tornar a jornada desse trio numa derrocada iminente.



Tendo por fundo esse clima hostil, Mathieu Kassovitz trata de temas importantíssimos do mundo contemporâneo: a exclusão social, a violência, o racismo e o abuso por parte das autoridades. Até que ponto as pessoas são culpadas por reagirem com violência à opressão sofrida? Hubert argumenta: "Na escola, aprendemos que ódio só traz ódio". Vinz retruca: "Eu não sou da escola. Eu sou da rua. E sabe o que ela me ensinou? Dê a outra face, você tá morto!".

Na atual conjuntura, em que o prefeito César Maia afirma que a Rocinha é "uma fábrica de bandidos", jogando para a população a culpa de não terem uma educação decente e um mínimo projeto de vida, interessante é lembrar, mesmo que por meio da arte, o efeito causado pela exclusão.

A trilha sonora é recheada de hip-hop e música urbana, servindo como protesto contra os "porcos" (policiais).

Curiosa é a opção do diretor, mesmo sendo o filme gravado em cores, de exibi-lo em preto e branco. Sou obrigado a confessar que talvez esse seja meu filme preferido a tomar tal decisão desde Touro Indomável. Já que esbarro acidentalmente - ou nem tanto - em Robert De Niro e Martin Scorsese, não posso deixar de assinalar a inspiração que Traviz Bickle, de Taxi Driver, causa no personagem de Vincent, quando da sua tentativa de fazer justiça com as próprias mãos.

Um excelente estudo do ódio, acima de tudo.



---

C'est l'histoire d'un homme qui tombe d'un immeuble de 50 étages, le mec au fur et à mesure de sa chute il se repete sans cesse pour se rassurer :

Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...

Mais l'important c'est pas la chute,
C'est l'aterrisage.


C'est l'hisoire d'une société qui tombe, et au fur et à mesure de sa chute se repete sans cesse pour se rassurer :

Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...

Mais l'important c'est pas la chute,
C'est l'aterrisage.


---

Nota: 8,0

Dec. 15th, 2007

1_b&w

La Battaglia di Algeri (1966)



A autodeterminação dos povos é um direito que as populações habitantes de um determinado território que compõem ou não um estado-nação (tríade Estado – Povo – Território) têm de afirmarem perante todas as outras populações sua capacidade de se auto-governarem, manterem a criação cultural e tradições próprias, e terem soberania, e de constituirem as suas próprias leis. (Wikipedia)

----

Quando do seu lançamento em 1966, em meio ao contexto de descolonização e guerras de independência, o filme A Batalha de Argel foi acusado de ser mera propaganda comunista e terrorista, por parte dos setores de Direita em vários países, sendo inclusive banido na França por cinco anos, neste caso por mostrar cenas de tortura por parte das tropas francesas durante o conflito em questão (1954-1962).



Inegável é o forte sentimento nacionalista retratado durante toda a obra e a tentativa de desvencilhamento à potência opressora européia por parte dos revoltosos. Por outro lado, não devemos desconsiderar a imparcialidade de Gillo Pontecorvo ao demonstrar os atentados terroristas cometidos por ambas as partes. Em nenhum momento a Frente de Libertação Nacional (Front de Libération Nationale - FLN) foi inocentada dos ataques cometidos. A presença de crianças quando da explosão da primeira bomba no restaurante, logo no começo da batalha, torna clara a posição isenta de Pontecorvo. Aliás, o elemento infantil é utilizado durante toda a película como símbolo do preço pago pela população civil, independende do lado combatente.



Guiado em parte pela corrente neo-realista italiana, Pontecorvo nos entrega, com maestria, uma obra que retrata com tanta precisão o ataque francês à horda revoltosa argelina, que chega a beirar por muitas vezes o aspecto de um documentário. Cumpre ressaltar, aqui, que, embora o A Batalha de Argel tenha se baseado em eventos verídicos, alguns personagens tiveram seus nomes e características trocados ou sintetizados, a fim de representarem não homens, mas toda uma civilização ocidental, como no caso do "Coronel Mathieu".

Além do aspecto visual, chama atenção também, durante as proveitosas duas horas de duração, a força da vertente sonora, ora pela angustiante ululação das mulheres argelinas, ora pelo batuque típico da região.

Clamada foi muitos como a revolução mais sangrenta que se tem notícia, podemos através desse filme ter um contato mais direto com o que de fato ocorreu, já que, infelizmente, o nosso sistema de ensino regular costuma ignorar a relevância de tal insurreição, citando-a, quando muito, superficialmente.

Nota: 8,5/10

Dec. 13th, 2007

1_b&w

Repulsion (1965)




Somos criados para seguir uma certa linha de ação. A sociedade nos induz a proceder conforme um padrão definido. Os homens devem gostar das mulheres; as mulheres, dos homens. A mulher deve aparentar fragilidade; o homem, firmeza. Quem ousa fugir desse modelo é tachado de estranho, anormal.

Bem, em Repulsa ao Sexo (1965), somos introduzidos ao mundo de Carole Ledoux, uma belga em Londres. Loira, bela. E com forte aversão a qualquer intimidade com homens. Em certo diálogo durante o filme, um personagem masculino afirma: "Não há razão para ficar sozinha, sabe?" É o pensamento comum: uma mulher bonita não deve ficar só.

Fantástica é a forma como Roman Polanski transforma a viagem da irmã de Carole, Hélène, num processo de desfragmentação da personagem principal. Sozinha no apartamento, a loucura e obsessão tomam controle. Simbolicamente, o apodrecimento dos alimentos representa a deterioração da sanidade de Carole. Operários que se insinuavam para ela nas ruas, agora a visitam no quarto, abusam sexualmente da mesma. O persistente som do sino ao lado de fora é o prenúncio do perigo que se aproxima. A marcante trilha sonora se faz presente durante toda a obra, silenciando-se nos momentos de maior ação, muitas vezes, e causando atordoamento conforme o controle emocional da protagonista se desfaz.



Devemos culpar Carole por eventuais crimes que viesse a cometer? Ora, ela havia se fechado em seu mundo. Qualquer interferência alheia seria no mínimo imprudência. E, ademais, os que dela se aproximavam nunca tinham razões nobres, buscavam algo que ela deixara claro não estar disposta a conceder.

Jogos sensacionais de câmera, aliados à linda fotografia em preto e branco, fazem desse filme um espetáculo à parte. Impossível manter-se indiferente ao clima de terror criado, comparável ao de Psicose, mesmo que a história porventura não agrade. Cumpre ressaltar, ainda, a impressionante consistência da interpretação de Catherine Deneuve, bastante crível e sincera.

Nota: 7,5/10

Dec. 11th, 2007

1_b&w

Entre a sodomia e noites musicais


É engraçado como, muitas vezes, através de um acontecimento ruim, somos obrigados a lembrar quem de fato somos.

Por forças superiores, estou impedido de exercer minhas atividades cotidianas há vários dias. Conquanto não me agrade ficar parado, redescobri em mim algumas coisas há muito olvidadas, a saber: meu prazer pela música e cinema.

Não parei, mesmo nos momentos de maior pressão durante esse ano, de ouvir música. Ouvia diariamente enquanto trabalhava. Quando não o fazia, estava me informando via rádio. O contato auditivo nunca foi suspenso. Mas, agora é diferente... Tenho feito nesses dias algo que tinha simplesmente tirado da minha rotina: dormir ouvindo música. "Que coisa insignificante, um parágrafo inteiro para dizer uma bobeira dessas?" alguém pode dizer, com algum fundamento. Porém, ignora tal pessoa toda a simbologia por trás dessa simples ação. Ao deitar escutando uma canção qualquer, dou-me o direito de desfrutar por aqueles instantes de uma liberdade de pensamento que eu havia me privado. Deitado à cama, viajo por pensamentos, despreocupado com o dia seguinte. Lembro de um feliz passado distante, que nem é tão distante, tampouco feliz. Ah, aquela velha nostalgia enganadora!

Baixei alguns álbuns ontem. Caso seja de interesse de alguém:  The Lonely H: Hair,  Augie March: Moo, You Bloody Choir,  The Seedy Seeds: Change States,  Eulogies: Eulogies, Black Lips: Good Bad Not Evil, The Weakerthans: Reunion Tour,  Sunday Drivers: Archetypes EP,  Eskimo Joe: Black Fingernails,  Red Wine, The Scotland Yard Gospel Choir: The Scotland Yard Gospel Choir,  The Glad Version: Make Islands,  Dinosaur Jr.: Beyond. Não cheguei a ouvir nada, praticamente. Só por ter algum tempo de procurar música, meu sangue começa a circular novamente, posso olhar no espelho e não ver um estranho.

Dois filmes assistidos: Saló ou os 120 Dias de Sodoma (1976) e Fargo (1996). Começando pelo último, uma triste decepção. Devo ter deixado escapar alguma boa tirada de humor negro, alguma tênue interpretação, não sei. Não me impressionou. Talvez eu reveja, para tirar a dúvida. Sobre Saló, bom...tenho evitado esse filme há vários meses. Futuramente farei uma resenha mais apropriada da referida película, por ora adianto apenas que não fiquei traumatizado nem nada do gênero, consegui assistir o filme sem vomitar, enfim. Essa era uma preocupação minha. O filme é forte, mesmo... Incrível como o homem é cruel. Incrível como precisamos de filmes para escancarar certas verdades por nós negligenciadas.

Estou acabando "A Náusea" (Sartre). Bom livro, menos complicado do que eu esperava. Acho, porém, que não estou preparado para desfrutar integralmente de todo o conteúdo. É o típico livro a ser guardado e relido daqui 20 anos.

Tenho concentrado meus estudos em História, ultimamente. Não por ser uma área que eu tenho grandes deficiências, talvez justamente o contrário. Gozo de certo prazer ao ler e entender os problemas de ontem que se refletem hoje. Coisa de gente estranha, claro.

O ano está acabando. O que fizemos? Não importa. Um mês para que esse não seja "só mais um ano". Mude o mundo nesses 20 dias, nem que seja aquele dentro de ti mesmo.
1_b&w

A Náusea (1938)



O corpo vive sozinho, uma vez que começou a viver. Mas o pensamento, sou eu que o continuo, que o desenvolvo. Existo. Penso que existo. Oh! Que serpentina comprida esse sentimento de existir - e eu a desenrolo muito lentamente... Se pudesse me impedir de pensar! Tento, consigo: parece-me que minha cabeça se enche de fumaça... e eis que tudo recomeça: "Fumaça... não pensar... Não quero pensar... Penso que não quero pensar... Não devo pensar que não quero pensar. Porque isso também é um pensamento." Será que não termina nunca?

Meu pensamento sou eu: eis por que não posso parar. Existo porque penso... e não posso me impedir de pensar. Nesse exato momento - é terrível - se existo é porque tenho horror a existir. Sou eu, sou eu que me extraio do nada a que aspiro: o ódio, a repugnância de existir são outras tantas maneiras de me fazer existir, de me embrenhar na existência. Os pensamentos nascem por trás de mim como uma vertigem, sinto-os nascer atrás de minha cabeça... se eu cedo, virão para frente, aqui entre meus olhos - e sempre cedo, o pensamento cresce, cresce e fica imenso, me enchendo por inteiro e renovando minha existência.
                                                                                                                                                                         
                                                                                       
                                                                                                                                                                                                            Jean-Paul Sartre

Nov. 24th, 2007

1_b&w

As bizarrices da vida OU Uma notícia gozada


Britânica de 24 anos tem 200 orgasmos por dia



A britânica Sarah Carmen, 24 anos, que sofre de uma síndrome rara, tem 200 orgasmos por dia, ou seja, um a cada sete minutos. Em entrevista ao jornal News of the World, ela contou que qualquer coisa a faz chegar ao clímax, como o barulho do trem, ou o som do secador de cabelo.

Durante a entrevista, de 40 minutos, Sarah afirmou ter tido oito orgasmos. Ela sofre da Síndrome de Excitação Sexual Persistente, que leva ao aumento do fluxo sanguíneo para os órgãos sexuais causando excitação por grandes períodos, mesmo sem que haja estímulo sexual.

"Quando começou, aos 19 anos, meu namorado estranhou a quantidade de orgasmo que eu atingia durante a transa", contou ela. "Muitas vezes queria ter o número necessário de orgasmos para acalmar-me. Às vezes, queria ter uma vida normal".

Sarah contou também que dispensa convites para ir a locais públicos com música alta e muita agitação. Ir à bares ou clubes barulhentos está fora de questão porque as vibrações a deixam doida. "Tenho que encontrar bares quietinhos. E eu tenho mais orgasmos quanto mais eu bebo, porque me relaxa, então eu tenho que beber muito pouco agora."

A situação mais hilária de orgasmo foi enquanto ela respondia a um questionário de pesquisa de mercado. "Eu tive um orgasmos na frente da pesquisadora. Ela sabia o que estava acontecendo e me olhou estranho. Eu tentei explicar que não podia ajudar, mas eu estava gemendo tanto que tive que sair andando".

Sarah está fazendo tratamento e segundo os médicos não há uma explicação científica provada para o problema dela. O mais provável é a infecção da região pélvica que pode estar estimulando os nervos do clitóris.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/popular/interna/0,,OI2095688-EI1141,00.html
---------------
1_b&w

O mal de querer ser tudo OU o fado de não conseguir ser nada

- O que você quer ser quando crescer, filho? - a mãe pergunta.

- Quero ser jogador de futebol...não!, quero ser bombeiro...ou quem sabe ator....médico, pronto!

-------

Todos, em certo ponto da existência, tiveram esse tipo de dúvida. Não chega a ser de fato uma dúvida, pela simples razão de não questionarmos então as opções profundamente. Explico: a cada "encantamento", nossa visão mudava de alvo. Se o time de futebol fosse campeão, a idéia de ser jogador profissional florescia. Quando de um incêndio, o bombeiro virava o herói - se houvesse salvamento, óbvio. E assim por diante.

O legal de ser criança é a possibilidade ilimitada de sonhar. Ao passo que envelhecemos, os sonhos fazem menos e menos sentido, não por serem pouco razoáveis, mas por sermos menos crentes.

Eu sonhei ser várias coisas. Ainda sonho. Só vivo por ainda conseguir sonhar.

O meu problema é não conseguir ser feliz frente à desgraça do mundo todo. "Não sou pessimista, o mundo que é péssimo", disse certa vez José Saramago. Minha alegria - estado essencialmente efêmero - se desfaz assim que a notícia da morte de uma criança chega aos meus ouvidos. Uma criança! Aquela que sonha! Não, não posso aceitar. Não me venha com "isso é coisa do destino", "algo melhor a está esperando". Para o inferno com o destino! Ninguém tem direito de tirar a vida de outra pessoa, quanto mais um ser por definição puro!

Resolvo então mudar o mundo. Penso: o que eu gosto de fazer? Bom, eu gosto de música. É, música! Poderia ser um crítico musical. Aí me lembro que isso não impediria a fome no mundo. Sinto-me vazio. O que mais? Gosto de ler. Bom, poderia ser um professor! Letras, hein? Só que isso, para mim, é mais lazer do que profissão. Jornalismo! É, um correspondente no exterior, quem sabe? Ou sair à procura de problemas, denunciando práticas corruptas, enfim. Não me enxergo recebendo ordens dentro de uma redação, sem qualquer liberdade de criação, de um chefe possivelmente incompetente e ignorante, mas que é chefe, devendo ser acatado, pois. Coloco a idéia de lado.

Não sei mudar o mundo. Será que isso acontece pela força? Pela educação? Devo ser um educador? Um vingador? Um ditador? Alguns ditadores devem ter começado com boas intenções, fico a imaginar.

Tudo para dizer que amanhã tem vestibular. E a minha jornada para tentar mudar o mundo começa, oficialmente. Vamos ver.

Previous 10