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Repulsion (1965)




Somos criados para seguir uma certa linha de ação. A sociedade nos induz a proceder conforme um padrão definido. Os homens devem gostar das mulheres; as mulheres, dos homens. A mulher deve aparentar fragilidade; o homem, firmeza. Quem ousa fugir desse modelo é tachado de estranho, anormal.

Bem, em Repulsa ao Sexo (1965), somos introduzidos ao mundo de Carole Ledoux, uma belga em Londres. Loira, bela. E com forte aversão a qualquer intimidade com homens. Em certo diálogo durante o filme, um personagem masculino afirma: "Não há razão para ficar sozinha, sabe?" É o pensamento comum: uma mulher bonita não deve ficar só.

Fantástica é a forma como Roman Polanski transforma a viagem da irmã de Carole, Hélène, num processo de desfragmentação da personagem principal. Sozinha no apartamento, a loucura e obsessão tomam controle. Simbolicamente, o apodrecimento dos alimentos representa a deterioração da sanidade de Carole. Operários que se insinuavam para ela nas ruas, agora a visitam no quarto, abusam sexualmente da mesma. O persistente som do sino ao lado de fora é o prenúncio do perigo que se aproxima. A marcante trilha sonora se faz presente durante toda a obra, silenciando-se nos momentos de maior ação, muitas vezes, e causando atordoamento conforme o controle emocional da protagonista se desfaz.



Devemos culpar Carole por eventuais crimes que viesse a cometer? Ora, ela havia se fechado em seu mundo. Qualquer interferência alheia seria no mínimo imprudência. E, ademais, os que dela se aproximavam nunca tinham razões nobres, buscavam algo que ela deixara claro não estar disposta a conceder.

Jogos sensacionais de câmera, aliados à linda fotografia em preto e branco, fazem desse filme um espetáculo à parte. Impossível manter-se indiferente ao clima de terror criado, comparável ao de Psicose, mesmo que a história porventura não agrade. Cumpre ressaltar, ainda, a impressionante consistência da interpretação de Catherine Deneuve, bastante crível e sincera.

Nota: 7,5/10

Comments

(Anonymous)

Um filme bastante interessante, e com diversas figuras de linguagem, pelo visto. A história parece bastante impactante e real, por determinados momentos.

Tá veeeeeeeeeeeendo, eu tb sei escrever bonito!
Beijo coisa linda ;*
Viviane
aeiuheauiaehuiea

Várias metáforas, mesmo, por exemplo.

Deveria assistir!

Beijo, coisa linda²!
Muito interessante, rafikz.
Bom saber que seu tempo livre é bem proveitoso.
Gostaria de algum dia poder ver.

Beeeeeeeijo. ;]
Não sei se chamaria de "proveitoso", mas pelo menos não fico parado. Já estou atordoado de ficar em casa, tenho que fazer algo :/
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