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Dec. 19th, 2007

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La Haine (1995)



Sempre que penso em cinema francês, automaticamente lembro de filmes delicados, construídos lenta e cuidadosamente. Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain seria um exemplo imediato da sutileza a que me refiro.

Pois bem, ao assistir O Ódio, é de bom grado colocar todo esse conceito prévio de lado e, se for o caso, buscar um lugar comum em filmes como Cidade de Deus e Ônibus 174, para citar alguns nacionais.

Após um motim em que, por abuso policial, um jovem árabe acaba em estado crítico de saúde, somos apresentados a um intrigante trio de jovens, moradores de um subúrbio em Paris, composto por Vinz (Vincent Cassel), judeu revoltado e ansioso por vingança, Hubert (Hubert Koundé), pugilista negro que constantemente analisa o comportamento daqueles a sua volta, e Saïd (Saïd Taghmaoui), descendente árabe muito falante que funciona por diversas vezes como agente pacificador. Durante o tal motim, um oficial acaba perdendo sua arma, que é encontrada justamente por Vinz. Este jura matar um policial se o jovem ferido de fato morrer. Se a trama, por si só, já é razoavelmente delicada, diversos imprevistos acabam por tornar a jornada desse trio numa derrocada iminente.



Tendo por fundo esse clima hostil, Mathieu Kassovitz trata de temas importantíssimos do mundo contemporâneo: a exclusão social, a violência, o racismo e o abuso por parte das autoridades. Até que ponto as pessoas são culpadas por reagirem com violência à opressão sofrida? Hubert argumenta: "Na escola, aprendemos que ódio só traz ódio". Vinz retruca: "Eu não sou da escola. Eu sou da rua. E sabe o que ela me ensinou? Dê a outra face, você tá morto!".

Na atual conjuntura, em que o prefeito César Maia afirma que a Rocinha é "uma fábrica de bandidos", jogando para a população a culpa de não terem uma educação decente e um mínimo projeto de vida, interessante é lembrar, mesmo que por meio da arte, o efeito causado pela exclusão.

A trilha sonora é recheada de hip-hop e música urbana, servindo como protesto contra os "porcos" (policiais).

Curiosa é a opção do diretor, mesmo sendo o filme gravado em cores, de exibi-lo em preto e branco. Sou obrigado a confessar que talvez esse seja meu filme preferido a tomar tal decisão desde Touro Indomável. Já que esbarro acidentalmente - ou nem tanto - em Robert De Niro e Martin Scorsese, não posso deixar de assinalar a inspiração que Traviz Bickle, de Taxi Driver, causa no personagem de Vincent, quando da sua tentativa de fazer justiça com as próprias mãos.

Um excelente estudo do ódio, acima de tudo.



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C'est l'histoire d'un homme qui tombe d'un immeuble de 50 étages, le mec au fur et à mesure de sa chute il se repete sans cesse pour se rassurer :

Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...

Mais l'important c'est pas la chute,
C'est l'aterrisage.


C'est l'hisoire d'une société qui tombe, et au fur et à mesure de sa chute se repete sans cesse pour se rassurer :

Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...
Jusqu'ici tout va bien...

Mais l'important c'est pas la chute,
C'est l'aterrisage.


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Nota: 8,0

Dec. 15th, 2007

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La Battaglia di Algeri (1966)



A autodeterminação dos povos é um direito que as populações habitantes de um determinado território que compõem ou não um estado-nação (tríade Estado – Povo – Território) têm de afirmarem perante todas as outras populações sua capacidade de se auto-governarem, manterem a criação cultural e tradições próprias, e terem soberania, e de constituirem as suas próprias leis. (Wikipedia)

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Quando do seu lançamento em 1966, em meio ao contexto de descolonização e guerras de independência, o filme A Batalha de Argel foi acusado de ser mera propaganda comunista e terrorista, por parte dos setores de Direita em vários países, sendo inclusive banido na França por cinco anos, neste caso por mostrar cenas de tortura por parte das tropas francesas durante o conflito em questão (1954-1962).



Inegável é o forte sentimento nacionalista retratado durante toda a obra e a tentativa de desvencilhamento à potência opressora européia por parte dos revoltosos. Por outro lado, não devemos desconsiderar a imparcialidade de Gillo Pontecorvo ao demonstrar os atentados terroristas cometidos por ambas as partes. Em nenhum momento a Frente de Libertação Nacional (Front de Libération Nationale - FLN) foi inocentada dos ataques cometidos. A presença de crianças quando da explosão da primeira bomba no restaurante, logo no começo da batalha, torna clara a posição isenta de Pontecorvo. Aliás, o elemento infantil é utilizado durante toda a película como símbolo do preço pago pela população civil, independende do lado combatente.



Guiado em parte pela corrente neo-realista italiana, Pontecorvo nos entrega, com maestria, uma obra que retrata com tanta precisão o ataque francês à horda revoltosa argelina, que chega a beirar por muitas vezes o aspecto de um documentário. Cumpre ressaltar, aqui, que, embora o A Batalha de Argel tenha se baseado em eventos verídicos, alguns personagens tiveram seus nomes e características trocados ou sintetizados, a fim de representarem não homens, mas toda uma civilização ocidental, como no caso do "Coronel Mathieu".

Além do aspecto visual, chama atenção também, durante as proveitosas duas horas de duração, a força da vertente sonora, ora pela angustiante ululação das mulheres argelinas, ora pelo batuque típico da região.

Clamada foi muitos como a revolução mais sangrenta que se tem notícia, podemos através desse filme ter um contato mais direto com o que de fato ocorreu, já que, infelizmente, o nosso sistema de ensino regular costuma ignorar a relevância de tal insurreição, citando-a, quando muito, superficialmente.

Nota: 8,5/10

Dec. 13th, 2007

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Repulsion (1965)




Somos criados para seguir uma certa linha de ação. A sociedade nos induz a proceder conforme um padrão definido. Os homens devem gostar das mulheres; as mulheres, dos homens. A mulher deve aparentar fragilidade; o homem, firmeza. Quem ousa fugir desse modelo é tachado de estranho, anormal.

Bem, em Repulsa ao Sexo (1965), somos introduzidos ao mundo de Carole Ledoux, uma belga em Londres. Loira, bela. E com forte aversão a qualquer intimidade com homens. Em certo diálogo durante o filme, um personagem masculino afirma: "Não há razão para ficar sozinha, sabe?" É o pensamento comum: uma mulher bonita não deve ficar só.

Fantástica é a forma como Roman Polanski transforma a viagem da irmã de Carole, Hélène, num processo de desfragmentação da personagem principal. Sozinha no apartamento, a loucura e obsessão tomam controle. Simbolicamente, o apodrecimento dos alimentos representa a deterioração da sanidade de Carole. Operários que se insinuavam para ela nas ruas, agora a visitam no quarto, abusam sexualmente da mesma. O persistente som do sino ao lado de fora é o prenúncio do perigo que se aproxima. A marcante trilha sonora se faz presente durante toda a obra, silenciando-se nos momentos de maior ação, muitas vezes, e causando atordoamento conforme o controle emocional da protagonista se desfaz.



Devemos culpar Carole por eventuais crimes que viesse a cometer? Ora, ela havia se fechado em seu mundo. Qualquer interferência alheia seria no mínimo imprudência. E, ademais, os que dela se aproximavam nunca tinham razões nobres, buscavam algo que ela deixara claro não estar disposta a conceder.

Jogos sensacionais de câmera, aliados à linda fotografia em preto e branco, fazem desse filme um espetáculo à parte. Impossível manter-se indiferente ao clima de terror criado, comparável ao de Psicose, mesmo que a história porventura não agrade. Cumpre ressaltar, ainda, a impressionante consistência da interpretação de Catherine Deneuve, bastante crível e sincera.

Nota: 7,5/10

Dec. 11th, 2007

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A Náusea (1938)



O corpo vive sozinho, uma vez que começou a viver. Mas o pensamento, sou eu que o continuo, que o desenvolvo. Existo. Penso que existo. Oh! Que serpentina comprida esse sentimento de existir - e eu a desenrolo muito lentamente... Se pudesse me impedir de pensar! Tento, consigo: parece-me que minha cabeça se enche de fumaça... e eis que tudo recomeça: "Fumaça... não pensar... Não quero pensar... Penso que não quero pensar... Não devo pensar que não quero pensar. Porque isso também é um pensamento." Será que não termina nunca?

Meu pensamento sou eu: eis por que não posso parar. Existo porque penso... e não posso me impedir de pensar. Nesse exato momento - é terrível - se existo é porque tenho horror a existir. Sou eu, sou eu que me extraio do nada a que aspiro: o ódio, a repugnância de existir são outras tantas maneiras de me fazer existir, de me embrenhar na existência. Os pensamentos nascem por trás de mim como uma vertigem, sinto-os nascer atrás de minha cabeça... se eu cedo, virão para frente, aqui entre meus olhos - e sempre cedo, o pensamento cresce, cresce e fica imenso, me enchendo por inteiro e renovando minha existência.
                                                                                                                                                                         
                                                                                       
                                                                                                                                                                                                            Jean-Paul Sartre

Nov. 14th, 2007

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Kitchen Sink


Kitchen Sink
(New Zealand, 1989), 14 minutes, 35 mm, b/w
by Alison Maclean

Alison Maclean
Born in Ottawa, Canada, in 1958, Alison Maclean spent much of her childhood in Canada, emigrating to New Zealand with her parents as a teenager. She is a graduate of the Elam School of Fine Arts, Auckland, where she majored in film and sculpture. She now lives in New York, where directing music videos is one of her major activities.

Alison Maclean on Kitchen Sink
The story came to me in much the same way as events unfold for the woman in the film. I could see this hair sticking out of the plughole and on closer inspec-tion, the story began to emerge and to transform itself in quite a surprising way. It's a dark little fable about fear and desire - about a woman who re-fashions a monster into a man, and finds herself falling for her creation. In some sense I see it as a Pygmalion-type story, with the genders reversed.

Fonte: http://pov.imv.au.dk/Issue_13/section_4/artc2A.html

Parte I


Parte II


Enjoy.

Jul. 26th, 2007

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Um Cão Andaluz (Un Chien Andalou)

Surrealismo foi um movimento artístico e literário surgido primariamente em Paris dos anos 20, inserido no contexto das vanguardas que viriam a definir o modernismo, reunindo artistas anteriormente ligados ao Dadaísmo e posteriormente expandido para outros países. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud (1856-1939), o surrealismo enfatiza o papel do inconsciente na atividade criativa.

As características deste estilo: uma combinação do representativo, do abstrato, e do psicológico. Segundo os surrealistas, a arte deve se libertar das exigências da lógica e da razão e ir além da consciência quotidiana, expressando o inconsciente e os sonhos.
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Nome original:
Un Chien Andalou
País: França
Duração: Cerca de 17 minutos
Ano de Lançamento: 1928
Cor: Preto e branco
Atores: Pierre Batcheff, Simone Mareuil, Luis Buñuel, Salvador Dalí



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