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Nov. 17th, 2007

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O timoneiro

- Não sou acaso timoneiro? - exclamei.

- Tu? - perguntou um homem alto e escuro, e passou as mãos pelos olhos, como se dissipasse um sonho.

Eu estivera ao timão em noites escuras, com a débil luz do farol sobre a minha cabeça, e agora tinha vindo aquele homem e queria pôr-me de lado. E como eu não cedesse, pôs o pé sobre o meu peito e empurrou-me lentamente contra o solo, enquanto eu continuava sempre aferrado à roda do timão e a arrancava ao cair. Então o homem apoderou-se dela, pô-la em seu lugar e me deu um empurrão, afastando-me. Refiz-me depressa, contudo, fui até a escotilha que levava ao alojamento da tripulação, e gritei:

- Tripulantes! Camaradas! Venham depressa! Um estranho tirou-me do timão!

Chegaram lentamente, subindo pela escadinha, eram formas poderosas, oscilantes, cansadas.

- Sou eu o timoneiro? - perguntei.

Assentiram, porém apenas tinham olhares para o estranho, ao qual rodeavam em semicírculo, e quando com voz de mando ele disse: "Não me aborreçam", reuniram-se, olharam-me assentindo com a cabeça e desceram outra vez a escadinha.

Que povo é este? Pensa também, ou apenas se arrasta sem sentido sobre a terra?

                                                                                                                                                                                            Franz Kafka

                                                                                                                                                                                          (Tradução de Torrieri Guimarães)

                    



  
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