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Dec. 11th, 2007

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Entre a sodomia e noites musicais


É engraçado como, muitas vezes, através de um acontecimento ruim, somos obrigados a lembrar quem de fato somos.

Por forças superiores, estou impedido de exercer minhas atividades cotidianas há vários dias. Conquanto não me agrade ficar parado, redescobri em mim algumas coisas há muito olvidadas, a saber: meu prazer pela música e cinema.

Não parei, mesmo nos momentos de maior pressão durante esse ano, de ouvir música. Ouvia diariamente enquanto trabalhava. Quando não o fazia, estava me informando via rádio. O contato auditivo nunca foi suspenso. Mas, agora é diferente... Tenho feito nesses dias algo que tinha simplesmente tirado da minha rotina: dormir ouvindo música. "Que coisa insignificante, um parágrafo inteiro para dizer uma bobeira dessas?" alguém pode dizer, com algum fundamento. Porém, ignora tal pessoa toda a simbologia por trás dessa simples ação. Ao deitar escutando uma canção qualquer, dou-me o direito de desfrutar por aqueles instantes de uma liberdade de pensamento que eu havia me privado. Deitado à cama, viajo por pensamentos, despreocupado com o dia seguinte. Lembro de um feliz passado distante, que nem é tão distante, tampouco feliz. Ah, aquela velha nostalgia enganadora!

Baixei alguns álbuns ontem. Caso seja de interesse de alguém:  The Lonely H: Hair,  Augie March: Moo, You Bloody Choir,  The Seedy Seeds: Change States,  Eulogies: Eulogies, Black Lips: Good Bad Not Evil, The Weakerthans: Reunion Tour,  Sunday Drivers: Archetypes EP,  Eskimo Joe: Black Fingernails,  Red Wine, The Scotland Yard Gospel Choir: The Scotland Yard Gospel Choir,  The Glad Version: Make Islands,  Dinosaur Jr.: Beyond. Não cheguei a ouvir nada, praticamente. Só por ter algum tempo de procurar música, meu sangue começa a circular novamente, posso olhar no espelho e não ver um estranho.

Dois filmes assistidos: Saló ou os 120 Dias de Sodoma (1976) e Fargo (1996). Começando pelo último, uma triste decepção. Devo ter deixado escapar alguma boa tirada de humor negro, alguma tênue interpretação, não sei. Não me impressionou. Talvez eu reveja, para tirar a dúvida. Sobre Saló, bom...tenho evitado esse filme há vários meses. Futuramente farei uma resenha mais apropriada da referida película, por ora adianto apenas que não fiquei traumatizado nem nada do gênero, consegui assistir o filme sem vomitar, enfim. Essa era uma preocupação minha. O filme é forte, mesmo... Incrível como o homem é cruel. Incrível como precisamos de filmes para escancarar certas verdades por nós negligenciadas.

Estou acabando "A Náusea" (Sartre). Bom livro, menos complicado do que eu esperava. Acho, porém, que não estou preparado para desfrutar integralmente de todo o conteúdo. É o típico livro a ser guardado e relido daqui 20 anos.

Tenho concentrado meus estudos em História, ultimamente. Não por ser uma área que eu tenho grandes deficiências, talvez justamente o contrário. Gozo de certo prazer ao ler e entender os problemas de ontem que se refletem hoje. Coisa de gente estranha, claro.

O ano está acabando. O que fizemos? Não importa. Um mês para que esse não seja "só mais um ano". Mude o mundo nesses 20 dias, nem que seja aquele dentro de ti mesmo.

Jul. 22nd, 2007

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Sobre ter um blog

Há muito penso em ter um blog ou algo do gênero.

Há muito eu penso que pensar em ter blogs ou coisas do gênero, são pensamentos desnecessários, ignóbeis.

Afinal, ter um blog significa o que, mesmo?

Não estou interessado em mostrar para pessoas que muitas vezes não conheço uma realidade que elas sequer participam, ou mesmo ficar exibindo dúzias de fotos por demais felizes com vários amigos a fim de provar o quão popular e simpático eu sou, neste caso talvez por não ser popular, ou por não ter os amigos necessários para tal tarefa.

Por outro lado, tenho essa coisa dentro de mim, algo como uma força que às vezes pede para ser liberada, mas que eu rapidamente ignoro e, quando isso não é possível, escondo-a atrás de pensamentos a princípios mais urgentes, importantes. Essa força melhor se transmite oralmente, imagino. Mas, em sã consciência, quem gostaria de ficar ouvindo devaneios e filosofias vãs de alguem qualquer por horas a fio? Ora, os outros têm mais o quer fazer! Resta-me, pois, o terreno das palavras, sim, não há escapatória. Chegando nesse ponto, porém, caio num terrível dilema: onde escrever e, afinal, isso importa a alguém senão a mim? A resposta imediata seria escrever em alguma espécie de diário e escondê-lo dos olhos alheios. Após essa simples constatação, bate-me novamente uma súbita dúvida: se meus pensamentos na maioria das vezes não se restringem a minha pessoa, por que mantê-los guardados se porventura eles podem auxiliar alguém ou talvez ampliar campos de visão?

Vou contra meus princípios, então. Crio, finalmente, um tal blog. Quem o lerá? Alguém o lerá? Terão o que ler? Bom, as variáveis aqui são tantas que eu não sou capaz de dar uma resposta precisa. Nem você. Nem ninguém.

O que esperar aqui? Possivelmente encontrarão alguns textos interessantes de autores consagrados ou não, que por algum motivo eu vim a ter contato e tenho vontade de transmitir. Filmes, também. Talvez não tão convencionais, mas desde já aprenda que este lugar, assim como eu, é muito pouco ordinário, sinta-se a vontade para espressar todas as estranhezas e idéias tão peculiares a sua pessoa. Tem a música também, a boa e velha música. De Liars á Sufjan Stevens. De Bycicles à Sex Pistols. Espere de tudo. E de nada.

Por enquanto, e talvez para sempre, é só.
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